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amor de internet - qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência
Ela chega bem tímida, olha pra todos os lados, como se procurasse alguém. Não tinha como eu não reparar, estávamos eu e ela, num café desses atuais, com internet e tudo mais. Eu comi um pão de queijo e fazia um sudoku bem calma, só esperando os 20 minutinhos que eu tinha pra tomar um lanche. Ela procurou um lugar pra se sentar bem no meio do café. E chovia um bocado lá fora.
Continuei com meu sudoku e um moço, bonito, moreno, de cabelo molhados e capacete na mão entra, procurando alguém. Olha pra mim, olha pra outra moça... Chega bem perto dela e diz "Juliana?". A moça, morena, do cabelo comprido liso e bem brilhante libera um sorriso radiante como se tivesse diante da pessoa mais esperada da face da terra.
"Nossa, como você é bonita!"
"Não, você quem é..."
Um busca um pão de queijo, outro toma um suco, trocam meia dúzia de palavras... e mais nada. Ouve-se apenas os barulhos das xícaras ali no balcão e da chuva lá fora. Entreolham. Silêncio novamente. Entreolham. Silêncio.
De repente o moço levanta-se vai até o balcão e pergunta pra atendente "Quanto é a hora?" apontando pros computadores.
"Um real"
"Posso usar dois?"
Ela consente, os dois se levantam e dirigem-se cada uma pra um computador no ciber café. E ele ainda avisa "Entra no msn, tá?"
kitt at
12:50
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carta à ninguém
Agora escrevo para matar o tempo que passa bem lento dentro do carro. É bati, numa curva na BR 060, assutador, não acha?
Ainda bem que um pouco de juízo ainda reside na minha cabeça, não estava correndo, se estivesse, acho que eu capotaria o carro fácil num buraco bem atrás da guia de proteção. Foi assim: eu vinha ainda cantando Blizt "longe de casa há mais de uma semana..." e pensando em como o carro novo - que estou muito afim de vender esse - reagiria na estrada, já que o corsinha manda muito bem até...
Eu já conheço essa curva, gosto de passar por ela, é larga e chega deixar o carro tortinho... Não gosto de fazer curva ao lado de caminhões, reduzi a velocidade e comecei a fazer a curva. Chovia muito, álias, mal dava pra ver as linhas no chão, de tanta chuva, o carro começou derrapar, e eu fui infeliz, pisei no freio. O volante e o carro já não me obedecia direto, e o carro foi derrapando, derrapando até encontrar o guarde-reio - que eu nem sei como escreve, e nem sei se é esse mesmo o nome da tal "guia de proteção nas curvas" - quebrou na frente, raspou um pouco e eu consegui tomar o controle do carro e atravessar a pista e estacionar no acostamento, ligar o pisca alertar e ligar para mamys - que chegou ontem e já ganhou "tão boa notícia".
Daí liguei pro beibe e pro seguro. O carro está no nome da minha tia, que comprou o carro pra minha mãe que passou o carro pra mim junto com outras coisinhas não tão agradáveis assim. Foi um tempinho de conversa até eu saber exatamente o que fazer: ir a delegacia, fazer BO e dar entrada no seguro, porque ocorreu um "sinistro". O duro é desembolsar 400 pilas pra pagar a franquia do seguro, pra mandar consertar, pra finalmente eu vende-lo o mais rápido possível!
Aí como toda "desgraça pouca é bobagem" eu não me toquei que deixei pisca-alerta ligado, faróis, ar quente e tudo mais ligado e adivinha? Acabou a bateria. Eu que já estava em pane por conta da batida quase tive um ataque cardíaco achando que o tanque de gasolina furado! (minha ignorância é extrema nessas horas!!!)
Liguei novamente no seguro e eles disponibilizizaram um S.O.S., e agora estou aqui, escrevendo enquanto não escurece, nem o tal mecânico chega e economizando bateria do celular pra não deixar ninguém desesperado (ou mais desesperado ainda)...
Tudo tem um propósito, e como ontem eu dormir na casa de uma amiga, tinha uma troca de roupa no banco de trás e eu pude me trocar. É, porque eu disse que estava chovendo muito, né? Eu não aguentaria ficar sem ver o "estrago" do carro... e mais, tinha o tal triângulo de sinalização que precisava ser colocado. Fiquei ensopada. Inteirinha. Nunca pensei que pudesse acontecer isso, mas primeiro fiquei de camiseta molhada e só troquei a calça. Morreeendo de medo de alguém passar e ver. Mas continuei batendo os queixos de frio, tomei coragem, tirei a blusa, o sutiã molhado. Mais morreendo de medo ainda de alguém passar e me ver de "peito de fora". Rapidinho. Alias, acho que eu nunca fiz isso tão rápido na minha vida. Mamys ficaria boba de ver, porque tenho fama de ser meio "devagar". Bom é que agora estou quentinha, vestindo uma roupa seca e tentando me aquecer com uns chocolates que minha sogrinha fofa me deu no sábado. Ainda bem que esqueci a caixa no carro, e não deu tempo de traça-la inteira durante o fim-de-semana.
O cara do seguro chegou e está fazendo a volta. Ai, está bem frio, e tudo o que gostaria agora era um bom banho quente e o abraço do beibe para me esquentar. Alias, dormir abraçadinha com ele, nesse exato momento seria o céu... mas que droga tudo isso acontecer . Mas eu sei de uma coisa, tudo sempre, tem um propósito, Deus sabe o que faz e o que Permite acontecer.
Acho melhor eu párar por aqui, já vejo as luzes do guincho, voltando, obrigada pela companhia.
Catharina Sacerdote, na BR 060
dia 01/02 às 20h02
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só sei que foi assim, eu estou inteirinha da silva, o seguro já cobriu o conserto e até o fim do mês eu vendo o carro...

kitt at
13:55
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